A Verdade Por Trás do Deficit de Funcionários de TI

Há uns quinze anos eu escuto a mesma coisa, o mercado de TI no Brasil tem um grande defict de funcionários qualificados para preencher as milhares de vagas disponíveis.

Entre notícias encomendadas, números duvidosos e teorias suspeitas para explicar este “fenômeno” todos citam a falta de qualificação, falta de fluência em alguma língua estrangeira, surgimento de novas tecnologias, etc, mas ninguém fala sobre o óbvio: o mercado brasileiro valoriza muito mal os profissionais de TI. Quando se diz valorização, não estou falando apenas de remuneração, o dinheiro conta sim e os profissionais de TI são muito mal remunerados no nosso país. Não há piso definido para a categoria, na verdade nem existe uma definição correta de funções, mas para se ter idéia do problema, no geral, as empresas gastam mais com cafezinho do que com profissionais de TI.

As empresas não tem a real noção do quão importante este profissional é, elas ainda enxergam TI como Infra, ou seja, da mesma forma como enxergam serviços como fornecimento de energia e telefone. Acontece que TI é muito mais que isso, envolve todos os processos, informações, documentos e conhecimento da empresa.

Empresas onde a tecnologia da informação é tratada como Infra, tem grande perda de performance em sua comunicação e processos internos, mas os gestores e diretores não enxergam desta forma, acham que sistemas são como a rede elétrica, ligou, não deu curto, então funcionou. Com este pensamento eles subestimam a inteligência e a importância do profissional de TI, tratando-os como peças secundárias na empresa.

É necessário tratar TI como os demais departamentos, definir claramente funções, responsabilidades, remuneração e hierarquia. Nada de pedir para seu desenvolvedor administrar a rede ou para o suporte arrumar a cafeteira. Deve-se incluir os analistas nas reuniões de projetos relacionados a TI e não decidir tudo com base no “achômetro” e depois pedir para TI implementar.

Empresas que já entenderam que TI é fundamental para o negócio e valorizam estes profissionais de acordo, não tem problemas em contratar bons profissionais (ainda que tenham que treina-lo, o retorno é garantido), as demais, continuarão a sofrer com a falta de mão de obra, mas devido apenas a sua falta de visão.

  1. Danilo Lion

    ….ler este pequeno artigo até emociona…! por essas e outras eu estou migrando de área.. não por não gostar de TI, mas porque é muita exigência para pouco retorno.

    • fflush

      Obrigado pelo comentário, Danilo. Acho interessante você conhecer outras áreas de atuação, mas trabalhar com o que não gosta pode ser menos gratificante ainda. Nós os profissionais de TI temos que mostrar para as empresas nosso real importância. Aos poucos (mas bem aos poucos mesmo rsrsr) algumas coorporações vão se dando conta disso, já viu o projeto code.org (http://www.code.org/) ? Abraço.

  2. Jheymison Cardoso

    Muito bom o artigo!!!
    Realmente falta em nossa categoria uma regulamentação. Não para dizer que tem que ter uma formação de nível superior ou coisa parecida, mas para termos um piso salarial compatível com nossa carga de responsabilidade, para termos uma definição de fusão. Por exemplo, na empresa onde trabalho alem de acumular funções até a recepcionista se acha minha chefe.

    • fflush

      Obrigado Jheymison. É isso mesmo, a questão central deste debate é que o profissional de TI tenha o devido respeito dentro das coorporações.

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